
1º Workshop do Dia das Mulheres da ABN-RJ - ANERJ
Mulheres e Neurologia: Profissão e Saúde
O 1º Workshop do Dia das Mulheres da ABN-RJ - ANERJ abordou os desafios e conquistas das mulheres na Neurologia, destacando a presença feminina na área, as barreiras estruturais e a necessidade de políticas de equidade. O evento discutiu temas como o teto de vidro, o efeito Matilda e a síndrome do impostor, que ainda limitam o avanço feminino na ciência e medicina.
Histórico e Pioneiras
O crescimento da presença feminina na medicina é evidente: em 2020, as mulheres representavam 46,6% dos médicos brasileiros. No entanto, a desigualdade persiste, especialmente em posições de liderança. Pioneiras como Augusta Déjerine-Klumpke e Cécile Vogt-Mugnier abriram caminho para a participação feminina na Neurologia, mas ainda há desafios estruturais que dificultam a ascensão profissional.
Desafios Persistentes
Mulheres na neurologia enfrentam desigualdade em publicações científicas, viés de gênero em promoções e dificuldade de conciliar trabalho e família. O "teto de vidro" impede a ascensão profissional, enquanto o "efeito Matilda" minimiza suas contribuições científicas. A síndrome do impostor também impacta a autoconfiança e a progressão na carreira.
Impacto da Carga Mental e Burnout
A sobrecarga de trabalho invisível e a exigência de múltiplas funções (profissional, familiar e social) elevam os níveis de burnout em médicas. O evento destacou a necessidade de ambientes mais acolhedores, apoio psicológico e políticas institucionais para minimizar esses impactos.
Mentoria e Redes de Apoio
Programas de mentoria são fundamentais para o avanço das mulheres na neurologia. Iniciativas como o TRANSCENDS e o Programa de Mentoria da European Academy of Neurology promovem suporte profissional e acadêmico, ajudando na equidade de oportunidades.
Medicina Sensível ao Sexo e Gênero
A abordagem de medicina sensível ao gênero busca compreender as diferenças biológicas e socioculturais nas doenças neurológicas. Doenças como esclerose múltipla, enxaqueca e Alzheimer afetam mulheres de maneira distinta, exigindo um olhar diferenciado para diagnóstico e tratamento.
Sono e Saúde Feminina
Hormônios reprodutivos influenciam a qualidade do sono feminino ao longo da vida, afetando ciclo menstrual, gravidez, puerpério e menopausa. Transtornos como apneia obstrutiva do sono e síndrome das pernas inquietas se manifestam de maneira diferente em mulheres, exigindo mais pesquisas e diagnósticos adequados.
Conclusão
Apesar dos avanços, a neurologia ainda apresenta desigualdades de gênero significativas. A implementação de políticas inclusivas, programas de mentoria e maior visibilidade para as contribuições femininas são passos essenciais para garantir um futuro mais equitativo. O reconhecimento do papel das mulheres na neurologia não é apenas uma questão de justiça, mas também de progresso científico e melhoria na assistência médica.
Para ler o artigo completo publicado pelo DC História da Neurologia e Humanidades Médicas da ABN-RJ - ANERJ, coordenado pela Dra. Marleide da Mota Gomes clique aqui.